ARTIGOS, CRÔNICAS, EDITORIAIS CATÓLICOS

VOLTAR PARA A PÁGINA PRINCIPAL
ARTIGOS

ARTIGOS:



ÍNDICE DE ARTIGOS

MÁRTIRES DE SI MESMOS





Sei que dito assim causará muito mal-estar a próxima frase, mas, com as salvaguardas que se seguirão a ela, traduz meus mais profundos sentimentos. Tenho uma antipatia natural pelos mártires, preciso conhecê-los intimamente para tornar a gostar deles e , em raros casos, admirar sua coragem. A maioria me passa uma sensação de inépcia para viver e relacionar-se com outros seres humanos, sempre imperfeitos, que é, de fato, constrangedora. Além da franca desconfiança de seus motivos íntimos.

Sei que é ponto delicado da fé; sei que estou pisando em campo minado; mas, diante dos últimos acontecimentos em nosso conturbado mundo acho que é uma boa hora para analisarmos essa questão com toda a abertura de espírito e, se possível, até lançar alguma luz sobre o tema para os jovens, em geral tão apaixonados e vulneráveis ao fascínio das atitudes extremistas, a fim de oferecermos mesmo algum parâmetro para o julgamento de atitudes como a dos chamados "mártires muçulmanos" do World Trade Center.

Apenas como exercício de exposição, sem qualquer pretensão de sistematização ou de um texto mais acadêmico, quero principiar falando com toda a sinceridade possível das minha sensações a respeito da questão dos mártires. Digo sensações porque, embora o bom senso me leve a algumas certezas, estou certo que mudo, cedo sem pestanejar à verdade seja lá quem for seu procurador. Assim, perdoe de antemão as expressões notoriamente pessoais.

Duvido sinceramente que a maioria dos mártires chegue sequer perto da santidade, em que pese a todos os profundos e detalhados estudos que a Congregação para a Causa dos Santos sempre empreende antes de eleva-los ao panteão dos santos. A investigação, em geral sobre fatos passados e , claro, por sua própria natureza precariamente documentados, a Congregação tateia no escuro em busca de esclarecer a presença, em cada caso examinado, das 3 condições de martírio, quais sejam: a morte ter-se dado de forma violenta, o motivo ser ódio à fé católica e a livre aceitação do sacrifício pelas vítimas, isto é, que, diante do inevitável, elas tenham se submetido com o coração cheio de perdão pelos assassinos, sem reação de violência ou de ódio.

Creio que a raridade de casos de mártires autênticos é maior do que a Congregação pôde (e, em alguns episódios, desejou) provar. Claro que é lisonjeiro para a Igreja a presença entre seus fiéis de pessoas tão firmes na fé que prefiram o martírio à renúncia de qualquer de seus fundamentos. Tão lisonjeiro que nem o mais inocente dos católicos há de achar que sempre se tenha provado sem sombra de dúvidas que os 3 requisitos foram cumpridos antes de atestar a veracidade do martírio. Ao contrário, alguns (talvez muitos) eram de tal modo úteis politicamente à Igreja que declara-lo era até mesmo uma forma de coibir novos casos, muito mais complexo e piedoso, portanto, que simples má-fé como se pode compreender. Embora má-fé possa ter havido quando os objetivos visados eram mais mundanos que piedosos, para dizer o mínimo.

Mártir autêntico não pode deixar margem para dúvidas quanto a um aspecto prático: ele não desejou, não buscou e jamais aceitaria o suicídio. Esteja claro que um suicida útil não pode ter direito à honra de conviver em comunhão com Santos do quilate de São Paulo, São Pedro, São Francisco de Assis, Santa Clara, Santa Terezinha das Rosas, Santa Edwiges, dentre outros que se destacaram mais pelo serviço à caridade que , em alguns casos, pelo ocasional martírio.

Um suicida útil é alguém que, perdendo o interesse pela existência, deseja dar significação ao seu ato extremo de covardia ou repúdio pela vida associando-o a uma causa nobre. Uma atitude de tal modo torpe que custa crer a vaidade humana chegar tão longe ou a ponto de desejar louros impossíveis de gozar sobre a tumba, uma vez que uma tamanha falsidade ideológica nenhum elogio pode esperar na presença de Deus Pai.

Algumas correntes da psicologia, aliás, destacam essa característica presente em muitos comportamentos suicidas: uma vaidade sanguinária! Precisam de atenção e reconhecimento dos outros homens ao preço que custar. Antegozam o prazer do arrependimento póstumo dos seus agressores ou o reconhecimento, ainda que tardio, de suas qualidades desprezadas, ou que eles assim consideram em sua fome alucinada de aprovação e louvor.

Um suicida não pode ser mártir, se ele no mais íntimo de seu ser, vendo hipótese de salvaguardar a vida não se valer dela, ao contrário, é culpado de induzir a crime o seu agressor, por isso mesmo aos olhos da Justiça até mesmo menos coberto de culpa pelo ato. Veja-se a sutileza desse fato e o quanto é difícil à Congregação afirmar a validade do martírio com absoluta certeza. Uma mesma vítima que a toda prova externa seja digno da honra do título de mártir, aos olhos da justiça divina pode ser culpado de suicídio e incitamento ao crime.

Esse é o caminho mais improvável para a santidade! Aparentemente o mais fácil , porque, a olhos leigos, pouco demandaria da vida pregressa do vitimado, o que também não é verdade, porque para julgar sua condição será mister compreender o percurso espiritual da vítima. Um deslize e as dúvidas crescem sobre sua condição de mártir! Mártir verdadeiro é alguém que já seria Santo, ao menos com um grande potencial para tanto, antes do ato final!

Outra característica que até dispensa análise maior do comportamento do mártir é a atitude pacificadora, jamais agredir, diante do agressor, ele é uma voz de concórdia e perdão. Ele não procura a violência, ele não deixa o ódio crescer em seu coração, ele submete-se à morte, mas não agride! Colossal habilidade espiritual para se adquirir no ato extremo se não estiver sendo preparada desde o berço! Quantos podem chegar às cinco da tarde na pele de um cordeiro tendo usado a de um leão até quatro horas?

Mas a questão central ainda não foi tocada. A maior e quiçá maior habilidade a ser desenvolvida por um homem de bem é a Diplomacia, no seu sentido maior, mais figurativo que denotativo, isto é, a capacidade de conviver em harmonia com pessoas de crenças diferentes e, sendo necessário, até mesmo resguardar a fé no coração e não buscar a ira de pessoas intratáveis pela ostentação que é, em geral, mais uma face da vaidade que da fé verdadeira.

Mais do que professar em altos brados um dogma de fé ou uma postura religiosa, é nossa atitude e exemplos que convertem, divulgam e fazem prosperar a palavra de Cristo. Menos pessoas foram convertidas por um megafone que por um pão na hora da fome, ou, menos ainda, por uma palavra amiga na hora da necessidade, ou por um exemplo de recato e equilíbrio do fiel que comove e convence aos infiéis.

Há em muitos ditos mártires uma vaidade em afirmar a fé, que não parece cristã. Há uma exposição voluntária ao perigo que é mais cabotinismo que pregação da palavra, mais arrogância que coragem. Suprema lição é o que diz São Paulo em Romanos:

" Portanto não nos julguemos mais uns aos outros; antes o seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao vosso irmão. Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nada é de si mesmo imundo a não ser para aquele que assim o considera; para esse é imundo. Pois, se pela tua comida se entristece teu irmão, já não andas segundo o amor. Não faças perecer por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu. Não seja pois censurado o vosso bem; porque o reino de Deus não consiste no comer e no beber, mas na justiça, na paz, e na alegria no Espírito Santo. Pois quem nisso serve a Cristo agradável é a Deus e aceito aos homens. Assim, pois, sigamos as coisas que servem para a paz e as que contribuem para a edificação mútua. Não destruas por causa da comida a obra de Deus. Na verdade tudo é limpo, mas é um mal para o homem dar motivo de tropeço pelo comer. Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outra coisa em que teu irmão tropece. A fé que tens, guarda-a contigo mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova. Mas aquele que tem dúvidas, se come está condenado, porque o que faz não provém da fé; e tudo o que não provém da fé é pecado." (Romanos – 14)



Uma amiga certa vez me contou uma experiência inesquecível em seu aspecto chocante: a morte de um cordeiro. Disse que ele se comporta assustadoramente sem reação mesmo quando se percebe agredido. Não se move, encolhe-se e aceita o golpe. Faz isso por um estranho atavismo de sua espécie. Não me lembro de outra espécie animal assim. Note-se que o símbolo do cordeiro para Jesus Cristo é belo, mas, como todo símbolo, inverídico se levado às últimas conseqüências, porque Jesus sabia que ia morrer e porque, essa foi a razão pela qual chamou Pedro de Satanás quando ele, humana e amigavelmente, pede-lhe que não vá. O cordeiro não sabe porque o faz!

O sacrifício de Jesus é transcendente, sacrifício único e bastante cujo mistério ainda hoje talvez não compreendamos, nenhum de nós está convidado a repeti-lo, uma vez que desnecessário. Necessário é viver para implantar o Reino de Deus o quanto antes, para não desperdiçar qualquer hipótese de auxiliar e salvar um irmão.

Escusado dizer que o sacrifício dos Pilotos suicidas do WTC em nenhum aspecto pode ser comparado ao martírio nem para o Catolicismo, nem para o Islamismo, ali há uso indevido, subvertido e político das palavras do profeta Maomé para justificar o injustificável: a morte covarde de inocentes! Não são mártires nem para sua religião. São usurpadores de um título que sob qualquer ótica não lhes compete.

O que buscam, não pode haver engano, sequer é a aprovação de Deus, mas a aprovação de homens enganados por falsos pastores, assassinos ensandecidos, que não são privilégio do Islamismo, cá entre nós os Cristãos, não faltam exemplos iguais! Pastores existem aqui e lá que buscam influência e poder político, economia pura sob disfarce do fundamentalismo, que, tanto lá quanto aqui, associam-se a quem tiverem que se associar para fazer valer seu sectarismo. Estar certo é sair vitorioso ao preço que custar, vitória que é mais importante que a verdade!

Muitos de nossos mártires eram fundamentalistas e intolerantes, foram por isso martirizados, não pela fé!

Ouso dizer que a vida é um bem maior, supremo, maior mesmo que a expressão da Fé!

Marco Antonio Antunes




ANTES QUE SEJA TARDE

Um dia assisti a um filme chamado "A ONDA" que se passava em uma pacata escola secundária americana. A história contava um caso real: certo dia, em uma aula de História, um aluno demonstrou sua perplexidade com a falta de reação da população alemã no que concerne aos verdadeiros absurdos praticados naquele e país que culminaram com a morte de milhares de pessoas antes e durante a segunda grande guerra.

O professor , então, a título de exemplo, propõe um exercício de estremo rigor e ordem aos seus alunos, oferece um nome ao grupo, no caso " A Onda", elege para líderes 2 ou 3 alunos obscuros e cria "princípios elevados" mais formais que materiais para rígida obediência do grupo.

Em alguns dias, o monstro criou pernas e andou por conta própria: os chefes logo se tornaram corruptos e arrogantes, os alunos que se recusavam a participar eram hostilizados e até agredidos, o próprio grupo elegeu "inimigos" contra quem lutar, a maioria silenciosa calava diante dos absurdos por medo, etc. Em duas semanas o cenário para o terror estava pronto.

Não serei estraga-prazeres e contarei o final do filme, basta dizer que a história ilustra com precisão a resposta que o aluno pedia ao professor. Todos foram vendo acontecer e silenciando, até um dia em que já não adiantava mais falar. O monstro vivia! Lembra-me um poema de Maiakovski:

"Na primeira noite eles se aproximam e colhem uma flor do nosso jardim e não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam o nosso cão e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta e, porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada."

Curioso ponto de reflexão é o fato de que os regimes de exceção sempre encontram no homem medíocre o seu mais fiel e ferrenho defensor. A razão é que, numa Democracia ao sabor da liberdade, essas nulidades desaparecem, sucumbem no pântano lodoso de sua própria incompetência. Florescem na mentira como lírios nefastos.

Talvez daqui a alguns anos nossos netos perguntem como foi possível deixarmos tudo o que se avizinha acontecer. Não víamos? Não percebíamos? Como era possível? Bem, nosso extremo egoísmo nos conduz sempre a um não-envolvimento a uma postura de discreto ou ostensivo afastamento desses sectários agressivos com que vez por outra temos o desprazer de cruzar. E eles são, de certa forma, fáceis de reconhecer, pois seguem um padrão possível de descrever: estão sempre "envolvidos" em algum movimento ou ação, sempre trabalham empenhadamente pelas causas que os abraçam, são limpos, perfeccionistas, articulados e muito verbais, adoram ordem e respeitam cegamente a autoridade.

Como muita gente de bem, os ativistas da paz, os ecologistas, os homens de fé, também se encaixam em muitas dessas características, exceção feita ao "respeito cego" , há sempre o risco de não distinguirmos o joio do trigo.

Há, no entanto, uma característica, além da já mencionada, que os separa como um muro: os frutos que de cada um se colhe, os meios de atingir o fim de cada um, a negação violência por parte dos trigos e o seu absoluto respeito ao direito alheio. O joio pode ser nosso filho, nosso chefe, nossa amiga, nosso conhecido. Ele é o normal que agride! Ele, em condições normais, vaga pela vida sob discretos modos, mas, se o mal o arrebanha, se algum poder lhe chega às mãos, pode revelar-se um tirano sanguinário.

Após os sinistros atentados em Nova York e Washington, a Internet foi bombardeada por textos, piadas, análises, orações, etc Uma delas que me chegou às mãos, deixou-me perplexo, em especial porque o rapaz dizia-se inspirado pelo Espírito Santo! Leiamos o que recebi:

"Agora entro no assunto ao qual o Espírito Santo nos mostrou: Será que o que estamos fazendo tem agradado ao Senhor Jesus?? Nós, realmente estamos dando o nosso melhor na obra de Deus?? Será que semelhantemente aos terroristas daríamos a própria vida por uma causa, causa esta o Senhor Jesus e a propagação do Seu evangelho?? A palavra de Deus nos adverte: "Assim também vós, quando fizerdes tudo o que foi mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer." (Lucas 17:10)."

Tudo indica que o autor dessa inominável blasfêmia seja , na verdade, um rapaz sereno, que tenta ser um bom cristão com honestidade, que acredita mesmo que essas palavras diabólicas poderiam sair de outra boca que não a do Mal. Na sua boa-fé, quem o arrebanhou? A julgar por esse fruto, certamente um mal pastor. Curioso é que o e-mail vinha endereçado a várias pessoas e apenas uma moça além de mim parece ter atentado para o absurdo. As demais, se realmente leram, nada viram digno de nota. O mal prolifera assim exatamente, na indiferença dos homens de bem. Esquecemos a prática cristã dos primeiros tempos da admoestação.

Tenho uma amiga especialmente querida que mantém um site católico na rede, recentemente, li um artigo em sua página sobre Homossexualismo que me pareceu mal pensado quanto a seus efeitos, disse-lhe com sinceridade e ela prontamente concordou e retirou o texto da página. A sincera busca da verdade suplantou a vaidade de estar certa acima de discussões. Espero que, se um dia receber uma crítica a algo publicado neste site, possa agir com a mesma grandeza que ela teve. Precisamos estar atentos aos nossos irmãos, filhos, amigos, conhecidos, antes que seja tarde. Precisamos olhar para eles com carinho antes que o mal os arrebanhe para seus intentos. Às vezes, querem apenas atenção e servem a quem lhes conceder esse pouco que pedem. Além disso, sim, admoestemo-nos com carinho e brandura, aquela que eu talvez não tenha tido com o autor daquela reflexão que achou poder extrair algo de bom da barbárie inominável que vitimou os Estados Unidos.

Olhemo-nos com carinho e atenção, prestemos a atenção uns nos outros, sejamos discípulos e mestres uns dos outros alternadamente. Os jovens homens-bomba que abalaram o mundo, segundo algumas reportagens de televisão nem eram realmente homens que se distinguiam por sua fé, parece que sua motivação primeira é o prestígio social que essa coragem monstruosa alcança em sua sociedade. Queriam mais a aprovação de seus semelhantes que de Deus. É bem possível que sim!

Penso que essa disposição de ir ao extremo não seja nenhuma predisposição genética dos árabes, mas uma triste característica do gênero humano em sua drástica fraqueza e eterna busca de carinho, prestígio e reconhecimento. Podemos prestar um grande serviço a Deus dando esse pouco a nossos irmãos, antes que seja tarde e os agentes do Mal se adiantem.




Ontem, alguns minutos depois dos atentados sofridos pelos Estados Unidos, em especial pela cidade de Nova Iorque, fui surpreendido por um arauto do Apocalipse de plantão que, em meio à perplexidade geral, achou tempo e argumentos para ver naqueles tristes fatos (provocados pelo fundamentalismo, sandice e uma boa dose de fé cega) os sinais das previsões que Nossa Senhora teria feito a um ou outro vidente. Convertam-se - dizia o manifesto!
Claro que essa pessoa pode estar certa quanto às implicações últimas do episódio, claro que podemos mesmo estar no limiar da 3ª Guerra Mundial, claro que a insensatez estava nesse lance dando seu passo mais colossal. Não discuto o óbvio. Todos víamos pela televisão como se ocorresse em nosso quintal, como se o sonho da Aldeia Global de Mc Luhan, houvesse se transformado em um inacreditável pesadelo ao vivo.
Discuto a pressa em se aproveitar do fato para triunfalmente cantar vitória, como se estivesse de tocaia esperando um fato para dizer ao mundo: "Olhem, Nossa Senhora já havia alertado quanto a isso, logo, estamos certos e vocês errados" Vocês todos: protestantes que não aceitam Maria, budistas que não acreditam em soluções finais, islamitas, hebreus, etc
O movimento é mais sutil, menos bombástico, mas igualmente fundamentalista e perigoso.
Certa noite, quando ainda era professor, já ao fim da aula que antecedia o intervalo maior, de meia-hora, fomos todos surpreendidos por um trovão de inusitada potência que reverberou dentro da sala como se o prédio estivesse vindo abaixo. Surpreendido, apoiei-me na canaleta de giz, ao que tudo indica, pálido e assustado como todos em sala. Nesse momento , um aluno da primeira fila, que sempre assistia às minhas aulas com uma bíblia a tiracolo, aparentando um desafio pessoal a mim por ser católico confesso, levantou-se aos brados , apontando-me o dedo e dizendo: " Arrependa-se! Você tem medo! Precisa de Jesus! Aceite Jesus em sua vida e o medo passa!" Ato contínuo, o sinal soou encerrando a primeira etapa.
Durante o recreio, tentei recuperar meu equilíbrio e assimilar não o primeiro trovão, mas o outro de produção humana. Sentia-me violentado, agredido, invadido, chantageado. Terminado o intervalo, retornei coicidentemente àquela classe. Na primeira fila, vi com alguma perplexidade o jovem protestante com sua bíblia, ainda mais agressivamente exposta, um ar de vitória como um soldado que ganhara uma batalha.
Pedi-lhe emprestada a bíblia, abri nos seguintes trechos que li pausadamente:
"Esses tais são falsos apóstolos, operários desonestos, que se disfarçam em apóstolos de Cristo, o que não é de espantar. Pois, se o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz, parece bem normal que seus ministros se disfarcem em ministros de justiça, cujo fim, no entanto, será segundo as suas obras. –Corintios 2 ( Cap 11 , vers. 13 a 15)
A manifestação do ímpio será acompanhada, graças ao poder de Satanás, de toda a sorte de portentos, sinais e prodígios enganadores. Ele usará de todas as seduções do mal com aqueles que se perdem, por não terem cultivado o amor à verdade que os teria podido salvar- Tessalonicenses (Cap 1, vers. 9 e 10)
Se os que trabalham para Satanás, usam dos mesmos métodos de sedução e se aproveitam dos momentos de fraqueza do ser humano para atraírem seguidores para seu Senhor, como posso reconhecer pelos frutos os que se dizem servos de Deus se deles se colhe frutos iguais. Será que pensando servir a Deus não estão servindo ao Demônio? Porque Deus não precisa pegar um homem um segundo depois de um susto, de uma crise, de uma doença, de um grave problema ou grave provação para conseguir dele a conversão. Deus quer seguidores pela razão, não pelo medo. Um servo de Deus, nessas horas pensa em socorro, de seu exemplo, bondade e humanidade, talvez nasça a conversão, mas ele não se preocupa com isso. Preocupa-se em socorrer porque socorro é a necessidade imediata do próximo. Esse rapaz, nunca mais usou sua bíblia como uma arma ou escudo, tornou-se brando, amigável e, sem desistir da religião que escolhera, aprendeu a respeitar o próximo.
A pergunta completa que estou fazendo por esse artigo é: Até onde estamos dispostos a ir para mostrar ao outro que estamos certos em nossa fé, em nossos pontos-de-vista, em nossas certezas? Até pular em seu pescoço? Até aproveitar seus momentos de fraqueza? Até usar mensagens de Nossa Senhora contra os protestantes que não lhe devotam louvor? Até explodir duas torres em sua cidade maior? Até matá-lo? Até exterminá-lo? É uma questão de grau, mas o pecado é o mesmo.

MARCO ANTONIO ANTUNES



PARA OS QUE FICAM TRISTES NO NATAL



A mais triste história de Natal de que me lembro foi contada pela heroína do filme "Gremlins": indagada dos motivos pelos quais detestava o Natal, disse que seu pai viajava muito, mas sempre retornava para o Natal, porém as horas iam passando e nada...O próprio Natal passou, mais alguns dias ainda passaram, e nada, o homem desaparecera...Então começaram a sentir um cheiro ruim vindo da lareira, pensaram em um gato morto e quando os limpadores de chaminé foram chamados e desobstruíram, deram com o corpo do pai da moça...Ele mesmo, que morrera entalado tentando se passar por Papai Noel...
Essa é mesmo uma história muito triste. Outras pessoas têm também suas histórias tristes de Natal e nessa festa sentem doer mais a saudade daqueles que se foram pra sempre deste plano.Pois o Natal era justamente o momento em que necessariamente se reuniam e celebravam, além de presenciar a alegria dos que ainda têm seus amados vivos ou para quem o tempo já aplacou suas dores.
Aí, o que fazem essas pessoas? Desistem do Natal. Seguram suas tristezas, suas revoltas, suas mágoas, às vezes, do Deus que as levou sempre tão cedo; e desistem do Natal, desistem de serem felizes em mais uma festa, como se ao festejarem estivessem traindo seus entes queridos, como sinal de protesto a Deus, ou sabe-se lá o que mais!
Mas se essa é justamente a festa do nascimento de Cristo, aquele que nos abriu as portas da vida eterna, aquele que nos garantiu a participação no Reino do Pai,aquele que uniu misticamente o plano físico e espiritual! Essa atitude triste é antes de mais nada uma prova de falta de fé, de que não estamos lembrando de quem é o aniversário do dia 25 de dezembro.
A essa festa estamos todos convidados e não devemos fazer como os convidados do rei para as bodas que ignoraram o convite, fazendo com que o soberano escolhesse outros convidados para a alegria! Vivos e mortos, no Natal, estamos unidos ao redor da transcendente mesa em adoração ao aniversariante que se faz menino novamente para nos lembrar da renovação da vida.
É dia de festa em dois planos: é o dia em que esses dois planos se unem misticamente no eterno tempo, no corpo e sangue de Cristo.
É, por tudo e portanto, o dia menos adequado para tristeza, porque estará significando para o coração de Deus que nos esquecemos de que Jesus está fazendo um elo entre duas saudades que um dia se reencontrarão no Reino de Deus em um grande, um infinito abraço de Natal!
Por isso, dia 25 de dezembro festejemos a almas plenas! Abracemos todos os nossos, estejam eles no plano em que estiverem neste Natal! E QUE TENHAMOS A CORAGEM DE DAR UM ENORME SORRISO COM NOSSOS CORAÇÕES, POIS, DESDE SEMPRE, ESTAMOS TODOS VIVOS NA ETERNA CEIA DO PAI!
Marco Antonio Antunes





Não sei se já havia ouvido essa expressão anteriormente, mas , quando ouvi pela primeira vez, confesso que fiquei impressionado, estava numa frase assim organizada: "Deus espera de cada um de nós trabalhos de fé!" Ora, é uma belo modo de dizer, mas, à primeira audição, não me pareceu haver nele qualquer conteúdo novo; no entanto a sentença me assombrou noite a dentro como se me puxasse pelas fraldas da camisa dizendo: "Ei! não me descarte tão rápido, porque você ainda não me entendeu!"
Assim, enquanto dirigia meu carro na manhã seguinte, a fórmula do dia anterior iniciou cedo seu diálogo comigo. De certo modo, pensava eu, para alguns, ter fé era o exato oposto de trabalho (Se tenho fé, Deus dará). Mas, isso, eu sabia desde sempre que era uma inverdade completa: a dádiva de Deus é o trigo, para que o homem faça o milagre do pão.
Então, a fé não se basta? De fato,já sabemos isso: Deus colhe onde não semeou e , como a fé é graça, enterrá-la em uma contemplação estéril, ou julgar que ela se cumpre em meramente assistir à missa,é tê-la como um tesouro enterrado - é coloca-la a perder!
Fé que não trabalha, uma suposta fé ociosa,se tal absurdo fosse possível, seria na verdade uma fé pretensiosa que gostaria de crer que Deus se contenta com uma disposição nossa de crer nele, como um favor especial que lhes fazemos! Que sandice! Bem já foi dito que o Diabo também crê em Deus e, se Jesus o permitisse, dEle daria até mesmo testemunho, como, de fato, tentou.
Por isso, a crença não é sinônimo da fé. Crê aquele que reconhece o óbvio: Deus existe e é plenipotente. Tem fé aquele que tem consciência de que esse reconhecimento é apenas o primeiro degrau de uma escadaria gigantesca em direção ao Céu.
Trabalhos de fé, então, pensei naquele dia, serão todos aqueles que nos conduzam ao alto dessa escada, na qual Deus quis deixar faltar vários e muitos degraus, a fim de que ninguém a possa subir sozinho, sem o soerguimento providencial que só o irmão nos pode dar, até porque a solidão (irmã do egoísmo) é o oposto do Amor e ele, o Amor, assim maiúsculo, é condição sinequanon dessa transcendental escalada, pelo que ninguém vai muito longe sem o apoio do outro. Subimos sozinhos um bom pedaço e teremos que voltar para buscar o irmão que nos apoiará adiante para escalarmos um trecho em que faltam tantos degraus quanto a altura de seu corpo necessário e bem-vindo! Ninguém subirá, se todos não subirem. Não tenhamos ilusão quanto a isso!
Trabalho de fé, por fim concluí num insight, é aquele que edifica o outro, que o eleva, que o faz compreender que somos partes da escada , seus próprios degraus, e que nem eu nem ele poderíamos subir a Deus um sem o outro. Nada de "caridade" portanto, "caridade" naquele sentido menor que muitos empregam, em que um, abnegadamente, cede parte do que lhe sobra ao outro. Deus, ao que parece, não quis que fosse assim! A caridade é tanto mérito de quem dá como de quem recebe.
Trabalho de fé também não será só aquele grandioso, visível, ostensivo, notável! Não! Será principalmente aquele miúdo e eficiente fazer do dia-a-dia em que, quando já sequer notando, damos o melhor de nós ao próximo: damos-lhe respeito ao seu direito, à sua dignidade, ao seu tempo nas menores ações do dia e respeito, enfim, ao seu sentimento; damos-lhe compreensão de suas inseguranças, faltas, medos e angústias e Amor, no que essa palavra tem de menos grandiosa e eloqüente e mais humana, comezinha, trivial.
Trabalhos de fé! Tão simples e tão vital para o crescimento do Reino de Deus! Para nossa cidadania lá! Temos que aderir de corpo e alma ao voluntariado do amor ao próximo em nossa vida diária, em nossos locais de trabalho, em nossa casa, mas também no ônibus, no trânsito, na igreja, na rua, no silêncio de nosso coração,sim, também ali, porque é principalmente esse o palco que hoje temos para ensaiar. Nele temos que ter caridade, amor e respeito absoluto pelo próximo uma vez que é em nosso coração que Deus reina sobre nós e nossos irmãos, sonda nossos sentimentos, nosso coração é uma experiência espiritual viva para podemos ensaiar desde hoje a glória do Reino de Deus.

MARCO ANTONIO ANTUNES






Um dos maiores equívocos de que se tem notícia é o uso da malsinada teoria do Carma entre nós ocidentais de formação cristã, em especial em um país como o nosso em que o sincretismo religioso miscigenou teologias até os limites da imprudência.
O Carma é noção da teologia Brâmane de inegável mérito do ponto de vista teológico, tanto que, sob diversos outros nomes, adotamo-lo na teologia católica, quase em sua totalidade, modificado em sua perspectiva aqui ou ali, gostem disso ou não os mais ortodoxos na doutrina: os hindus precederam-nos em muitos pontos que vão da língua à Teologia e, claro, não inventamos a pólvora, muito do que hoje sabemos de teologia aprendemos nos Vedas, seu livro maior.
Carma é, em linhas muito mais que gerais, segundo o Dicionário Aurélio Buarque de Holanda:

Verbete: carma
[Do sânsc. karmam.]
S. m. Filos.
1. Nas filosofias da Índia, o conjunto das ações dos homens e suas conseqüências.

[Liga-se o carma às diversas teorias de transmigração, e por meio dele se definem as noções de destino, do desejo como força geradora do destino, e do encadeamento necessário, por força desses dois fatores, entre os diversos momentos da vida dos homens.]

Entre nós, há um ditado popular que traduz com absoluta sabedoria e propriedade o conceito: "Deus perdoa sempre, o homem às vezes, a natureza nunca." É tradução perfeita do conceito do carma! Deus , sendo amor, vê o desvio, o pecado, o erro humano, descendo às circunstâncias íntimas e últimas do ato e conhece que o desvio é sempre por ignorância, daí o perdão, baseado numa visão superior.
O homem, razão, há de julgar em cada ato o seu fundo social e exemplar, perdoa às vezes e às vezes pune, por sua natureza humana é que pode o Filho, Jesus, julgar ("Porque o Pai a ninguém julga, mas deu ao filho todo o julgamento"-João 5-22), mas a natureza,como puro defaut material, essa não perdoa nunca, o abuso da saúde conduz à doença, o erro conduz à sua conseqüência, como é o caso dos cataclismos ecológicos que nos ameaçam pelo mau uso dos recursos naturais. Esse é o carma.
O abuso ou a má interpretação de seu conceito veio, se não erro na interpretação, do uso espírita de algumas conclusões apressadas do conceito de carma.
O carma diz sim que a ação permanece associada ao seu autor até que se esgotem suas conseqüências. É o princípio da responsabilidade absoluta!O que é bem diferente de dizer: "Aqui se faz; aqui se paga" , porque é uma inverdade em princípio. Primeiro porque não se trata de "pagamento", mas de responsabilidade pela conseqüência, depois, porque a justiça divina não tem tempo e nem se prende a esse compartimento existencial de tempo em que estamos por uns 80 a 100 anos, dependendo de cada caso. "Deus (...) que visita a iniqüidade dos pais sobre os filhos e sobre os filhos dos filhos até a terceira geração." – Êxodos-34-7
Mas o pior é um outro tipo de conseqüência desse tipo de alegação.Quando vemos que alguns de nossos irmãos agem deliberadamente mal e nada lhes acontece, sobrevém a sensação de injustiça, porque é assim o modo divino de deixar agir. Alguns sofrem as conseqüências quase que imediatamente, outros talvez nunca as sofram a nossos olhos ou neste tempo. A estatística não ajuda a esse tipo de afirmação: a maioria dos homens mente, rouba, trapaceia e até mata sem que um raio lhes caia na cabeça como paga.
Certa vez, acredito que com alguma razão e bom senso, disse a meus filhos: Querem ser bons? Sejam porque isso é o certo. Agir honestamente é a única forma de conviver bem neste planeta e chocarmo-nos o menos possível, mas não sejam porque, sendo maus, sofrerão algum castigo: isso é tolice. Deus não é um vingador mascarado. Deus não pratica justiça para ser visto pelos homens e por eles aprovado.
Outro aspecto disso é que, se o mal sempre é cobrado, então, pensam alguns, certos em sua lógica torta, eu só me dou bem na vida, devo estar fazendo a coisa certa... E muitas vezes não estão. Muitas vezes estão roubando, mentindo, matando, promovendo a corrupção, impondo preconceitos, exigindo de outros moral que não têm para dar, tornando outras pessoas infelizes. Mas, como a falsa verdade diz: "Aqui se faz; aqui se paga", enquanto eu não começar a pagar, devo estar no agrado de Deus.
É um erro perigoso esse uso do significado de carma. É pernicioso e induz ao erro.
Sejamos bons cidadãos, amemos nosso próximo, façamos aquilo que é justo e sigamos nosso caminho sem fazer contabilidade dos erros alheios, esperando a vingança das circunstâncias em suas vidas. Esse não é o modo de Cristo! O modo de Cristo é amor e perdão, cidadania plena no Reino de Deus e Justiça pura, pelo seu valor intrínseco!






Marco Antonio Antunes





Marco Antonio Antunes










Há alguns meses, li certas palavras atribuídas a Nossa Senhora em que ela, a mãe de Jesus Cristo, que para nós ocidentais chega a se identificar como uma das pessoas da Sagrada Trindade, um com Deus, digna-se a descer do Céu, promovendo um rompimento da ordem cósmica e do milenar silêncio divino para, nada mais nada menos, que aconselhar as mocinhas a vestirem-se com decência na igreja!
É evidente que vestir-se apropriadamente é recomendável e não apenas na igreja, mas em qualquer lugar civilizado, mas o que é esse "adequadamente"? Bem, a única resposta sadia e de bom senso seria vestir-se em acordo com o modo com que a maioria das pessoas que freqüentam aquele local vestem-se, isso é, segundo alguns dos melhores estilistas, a própria definição de elegância, enquanto o comportamento oposto, exibicionista, seria a mais evidente prova de deselegância. O lugar para comportamentos de exceção é numa feira fashion, numa boate, etc
Numa sociedade organizada e onde se pretenda respeito ao próximo é assim que se procede: pensa-se primeiro no próximo e no seu direito, depois nas singularidades de cada um. Em especial quando o lugar em questão é uma igreja, espaço destinado à adoração em que se encontram várias gerações de pessoas que devem procurar fazer o máximo esforço para que todos sintam-se confortáveis e à vontade uns com os outros, favorecendo a prática da fraternidade. O nome disso é civilidade. Ninguém precisa vir do céu para nos lembrar disso. O bom senso obriga!
Faz menos de um ano, vi um rapaz na fila de comunhão da igreja Nossa Senhora da Paz em Ipanema vestindo uma camiseta em que se lia nas costas: "The Devil Kings!". O mais provável é que o jovem desconhecesse o significado do que trazia às costas, fascinado que estava pelo visual de História em Quadrinhos do desenho da frente, mas que choca, não resta dúvidas.
Exageros dessa ordem precisam ser evitados, mas daí a provocar a intervenção divina na indumentária dos fiéis é risível e serve apenas para desacreditar mensagens sérias de Nossa Senhora no que se refere à oração e prática da fé. Esse é o risco do zelo excessivo, perde-se o discernimento e pode-se chegar mesmo ao sacrilégio de atribuir palavras a Deus, Jesus ou Maria. Tudo supostamente com boas intenções, na prática mero moralismo vulgar e um desserviço à fé.

Marco Antonio Antunes


DEZ COISAS QUE SEI SOBRE O DIABO


Marco Antonio Antunes
Primeiro, acho honesto esclarecer que estas coisas são apenas sabidas por mim, não posso dizer que aprendidas no entanto. Saber é ter sobre a coisa alguma informação, compreendida ou não; aprender é ser capaz de dar atualidade em qualquer circunstância a essa ciência em proveito próprio ou de outrem, conscientemente.
Bem, nos assuntos do Diabo, quando acerto, em geral, é mérito quase sempre da graça de Deus e não do meu aprendizado precário. Assim, esteja claro que as dez coisas são sabidas e não necessariamente aprendidas.
As fontes desse aprendizado são as mais variadas, porém estou certo que uma boa leitura da Bíblia poderia ter ajudado a ter delas conhecimento um pouco antes (e menos dolorosamente).
Claro que para um sujeito que se apresenta dizendo-se Legião, essas dez coisas abaixo relatadas são pouco conhecimento, mas, acredito que se nesta vida um indivíduo for capaz de aprender metade delas, já vai errar bem menos.

1º- A MELHOR ARMA DO DIABO É A PROPAGANDA

Já no Gênesis o Diabo dá uma pequena amostra do poder de sedução da propaganda ao convercer Eva das vantagens de desobedecer a única restrição do Criador, valendo-se de um processo de convencimento que até hoje é imitado pela Publicidade: mostrar qualidades ocultas do produto, associar o produto ao ego, exibir o produto como objeto de desejo e oferecer prêmios por seu uso. Jesus no deserto, ao que parece, enfrentou um autêntico intervalo televisivo em seu entrevero com o Diabo.
“Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do campo, que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?
2 Respondeu a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim podemos comer,
3 mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais.
4 Disse a serpente à mulher: Certamente não morrereis.
5 Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal.
6 Então, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, comeu, e deu a seu marido, e ele também comeu”

2º- O DIABO SEMPRE VENDE ILUSÃO A CRÉDITO

É sempre da mesma forma que o Diabo arrasta suas vítimas para o erro: “Vai que dá!”; “Cara, você é bom nisso!”; “Tem que passar por cima de alguém? Ora, você naõ pode fazer um omelete sem quebrar alguns ovos”; “Depois que você fizer o que tem que fazer, você compensa esse pequeno mal”; “Relaxa! Como você acha que todo mundo que sai do chão consegue voar? Certamente não é se prendendo a esses escrúpulos ultrapassados!”; “Gosto de levar vantagem em tudo, certo?”; “Vai bancar o Mané?”; “Quem marca bobeira, que se dane!”; “A vida é de quem tem coragem”; etc...
As vitrines do Diabo são sempre atraentes e os produtos todos dispostos com ênfase e brilho. As quinquilharias mais supérfluas vendidas como essenciais. Ter é Poder! -Cada objeto parece gritar. A cobiça busca você na porta, a inveja sugere a compra, o orgulho debate com a gula sobre as vantagens de comprar, a luxúria dá um empurrãozinho e a tolice faz o cheque.
Adulação é apenas parte da sua técnica de vendedor. Se, inadvertidamente, aceitarmos seus engodos, viramos fregueses. Logo estamos trocando o essencial pelo supérfluo.
Na hora, sempre achamos que podemos pagar o preço, mas no crediário do Diabo, os juros estão disfarçados nas letras miúdas. Compramos fantasias, vestimos as fantasias, vamos ao baile, mas quando voltamos pra casa, lá estará ainda a pobre choupana em que moramos. Nossa roupa de príncipe, não nos deu castelos reais na vida prática.
O Diabo não pode vender nada além de ilusões. Ele não é CRIADOR, todos os seus produtos se desmancham no ar. Esse aspecto é dito de outro modo na Bíblia: “O salário do pecado é a morte”. A sabedoria popular, consagrou outra fórmula cujo significado é o mesmo: “Deus perdoa sempre, o homem às vezes, a natureza nunca”.
Deus nos perdoa a transgressão, mas não nos livra das conseqüências dos nossos atos, assim, se nossa imprudência nos expõe a uma doença, teremos que sofrê-la, a menos que um milagre de Deus se opere.

3º- O DIABO TE DÁ ASAS, TE ENSINA A VOAR, TE FAZ SE SENTIR O MELHOR DOS PÁSSAROS, MAS NO MEIO DO VÔO TE TIRA AS ASAS

Isso, descobri, como a maioria das pessoas, pelo pior dos métodos: ME ESTABACANDO NO CHÃO!
O Diabo é mestre em nos iludir com “presentes” para o nosso ego. Lisonja, adulação, vento encanado!
Mas, em tudo neste mundo, existe um tempo de empenho e um tempo de resgate. Ninguém dá nada de graça, muito menos o Senhor das Coisas deste mundo, Mamon, o Príncipe das riquezas materiais. Pegou? Usou? Um dia vai ter que pagar, uma hora vem o resgate. Por isso apresentei-o primeiro como negociante.
E o pior dos resgates é quando ele rouba a consciência da vítima, incentiva ao mal e, depois do mal feito, devolve lustradinha a consciência ao infeliz!
Muitos se perdem nessa hora! O remédio para isso é ter em mente que Deus é perdão sempre e que regresso de uma curta distância é quase ausência de culpa , mas se, como o folho pródigo, tivermos que caminhar meio mundo pra voltar, o Pai nos espera com roupa para nossa nudez, anel para nos lembrar da aliança, alparcas para podermos caminhar de novo e com o melhor dos bezerros assado para nos matar a fome!

4º- VOCÊ DANÇA COM O DIABO, VOCÊ NÃO MUDA O DIABO, O DIABO MUDA VOCÊ

Essa pérola de sabedoria conheci no filme “8MM” , e é uma verdade inquestionável sobre o Diabo. Jesus alertou para o fato de que um reino dividido não subsiste, se o Diabo combater o Diabo, logo estará derrotado, portanto a árvore má não pode dar bons frutos.
Não seja tolo a ponto de achar que pode combater o mal por dentro. No I CHING, maior livro da sabedoria oriental, está dito que o Mal precisa ser abertamente desacreditado sempre, sempre com a verdade, nunca com armas, pois se lhe fizermos o favor de responder golpe com golpe, seremos envolvidos por ódio e paixão e, então, sumariamente derrotados.
No mal, lembre-se, você será sempre amador e o Diabo um mestre consumado!
A arma contra o Mal é a VERDADE. Verdade sempre, verdade permanentemente. A verdade corta o tesão do Mal. Com verdade não há equívoco. Com verdade não tem demômio que possa!

5º- O DIABO SE CHAMA LEGIÃO

Não pense que o Diabo tem sempre a mesma cara, um de seus trunfos é exatamente esse: ele é muitos em um só. Se Deus é unívoco, o Diabo é equívoco.
Uma vitória sobre o Mal nunca nos gabarita para vencê-lo outra vez, apenas nos dá mais confiança, mas se nos der auto-confiança já estaremos nos perdendo.
O Mal se renova a cada dia , mas é sempre o mesmo. Inútil decorar uma fórmula, um caminho, um macete. A espada que feriu o Diabo ontem, amanhã pode nem lhe arranhar.
Temos que, nas palavras do I CHING, seguir o Bem em nós e confiar em Deus. Estar preparado de antemão contra o mal é o mesmo que fazer a cama para o Diabo.

6º- O DIABO NÃO TEM CHIFRES E NÃO SE APRESENTA COM RABO

Esse é o maior equívoco que se pode cometer em relação ao Diabo, achar que ele seja feio , monstruoso em sua aparência ou facilmente identificável.
Ao contrário, o Diabo é bem bonito, elegante, sedutor e definitivamente charmoso!
Se se apresentasse com a forma de sua alma, ninguém lhe daria ouvidos ou lhe emprestaria o coração, por isso é bom lembrar que o Diabo é um mestre em Ilusão e a beleza física é a maior das ilusões.
Como reconhecê-lo? Pelos frutos! Não pode a árvore boa dar maus frutos.

7º- O DIABO GOSTA DO EGO PORQUE O EGO DUVIDA

O nosso Ego é sempre o maior dos aliados do Diabo, está sempre disposto ao lucro fácil, ao atalho perigoso, a passar pela porta larga, etc
A razão é que o Ego gosta de progredir rápido em direção ao seus objetivos e em linha reta. Deus não age assim. Seu caminho é no mais das vezes tortuoso.
O Ego ouve a promessa de Deus por Cristo de que o que pedirmos nos será dado e quer dizer também como Deus deve nos levar lá. Esquece-se de que o homem é senhor do seu destino, mas não do seu caminho. Quando o Ego percebe demoras, atrasos, desvios, logo duvida e diz: Agora farei as coisas à minha maneira.
Claro, o Diabo ouve e se apresenta para servi-lo. O Diabo sempre se apresenta subserviente mente na pele de um criado, mas quer ser o Senhor e não perderá uma única oportunidade de escravizar uma alma. Porque o Ego duvida, ele se trona escravo do Senhor de Todas as Dúvidas.

8º- O DIABO NÃO SEGUE REGRAS

Quem faz acordo com o Diabo, não tem pra quem reclamar depois quando o trato não for cumprido ou o “produto” não for o que se esperava. Tratou com o Diabo? Vá reclamar no Inferno.

9º - O DIABO NOS APRESENTA O MAL VERDADEIRO COMO BEM E O INOFENSIVO COMO MAL

Uma das maiores sacações do Diabo foi o dia em que conseguiu associar o sexo com o pecado. Ora, o sexo é natural, imdispensável, instintivo, necessário, reclamado pelo corpo, todos sentem seu chamado, salvo pessoas doentes ou deficientes em certos aspectos. Se não há como se livrar do impulso do sexo, então todos estão em pecado quer queiram, quer não. Se todos estão em erro, todos, em princípio são sócios do clube do Diabo.
O sexo, ou qualquer outra coisa , não pode em si mesmo ser associado ao mal. “Nada é mal em si”. O excesso, a escravidão a ele, a perversão, isso é o mal. Mas alguns fiéis do Diabo logo viram nessa associação direta sexo-mal um ótimo instrumento de perdição. Curioso é que muitos filhos de Deus honestos de tão iludidos não vêem isso. O Diabo age assim, faz o mal parecer inofensivo e o inofensivo parecer Mal.

10º- O DIABO TEM FORÇA, MAS NÃO TEM PODER

Essa me ensinou o meu confessor, Padre José Maria, o Mal é forte e todos testemunhamos isso, mas Poder só Deus tem sobre a alma do homem.


Fim dos Artigos



OBSERVAÇÃO IMPORTANTE:

TODOS OS ARTIGOS ACIMA SÃO OPINIÕES E PONTOS-DE-VISTA DESTE AUTOR, NÃO CONSTITUINDO OPINIÃO AUTORIZADA DE NENHUM SETOR DA IGREJA, NA DÚVIDA MEDITE E CONSULTE UM SACERDOTE DE SUA CONFIANÇA