CINEMA - FILMES INTERESSANTES E RECOMENDADOS

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A CORRENTE DO BEM

Sinopse: A Corrente do Bem conta a história de um jovem que crê ser possível mudar o mundo a partir da ação voluntária de cada um. A direção é de Miini Leder (Impacto Profundo e O Pacificador).
O professor de Estudos Sociais Eugene Simonet (Kevin Spacey, vencedor do Oscar de Melhor Ator por Beleza Americana) não espera que a turma da 7.ª série deste ano seja diferente das anteriores. Por isso, ele sugere o mesmo trabalho de sempre no primeiro dia de aula, sem maiores expectativas quanto aos resultados: os alunos têm de pensar num jeito de mudar nosso mundo e colocar isso em prática.
Mas o garoto Trevor Mckinney (Haley Joel Osment, indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por O Sexto Sentido e protagonista de A.I. - Inteligência Artificial, o próximo lançamento de Steven Spielberg) resolve levar o trabalho a sério.
Aos 11 anos, ele mora num bairro de classe operária de Las Vegas com a mãe, Arlene (Helen Hunt, vencedora do Oscar de Melhor Atriz por Melhor é Impossível), que trabalha à noite como garçonete numa boate de strip tease, de dia, num cassino e tem pouco tempo para ele O pai (o músico Jon Bon Jovi, que fez a ótima trilha musical de Jovem Demais Para Morrer), então, raramente aparece.
A paixão do professor Eugene inspira Trevor, que cria a corrente do bem. A idéia é baseada em três premissas: fazer por alguém algo que este não pode fazer por si mesmo; fazer isso para três pessoas; e cada pessoa ajudada fazer isso por outras três. Assim, a corrente cresceria em progressão geométrica: de três para nove, daí para 27 e assim sucessivamente.
Eugene, que se transformou numa pessoa de defesas cerradas contra o mundo, vê no introspectivo Trevor uma reedição do seu idealismo de outrora. Os primeiros alvos do garoto são sua mãe e seu professor. Na busca por um pai e um lar estável, ele tenta unir os dois forçando um relacionamento.
Quando Arlene percebe a força do plano do seu filho, ela procura o professor para que este a ajude a compreender Trevor. Eugene, por seu lado, começa a se permitir ser mais aberto também em relação ao garoto, que quer compreender melhor, ainda sem se dar conta dos sentimentos que nutre pela mãe dele.
Enquanto isso, o garoto vai em frente com seu plano e as conseqüências começam a aparecer. Ele dá a um jovem sem-teto (Jim Caviezel, de Além da Linha Vermelha) um lugar para dormir e para tomar um banho. Isso emociona uma sem-teto mais velha, Grace (Angie Dickinson, de Caçada Humana e Vestida Para Matar) e acaba chegando até um jovem repórter (Jay Mohr), que tenta perseguir aquilo que acredita ser uma grande história.
Sem que Trevor saiba, a concepção da corrente do bem iniciada em Las Vegas está se espalhando pelos Estados Unidos.


A CHAVE DO SUCESSO

HÁ NESTE FILME UMA IMPORTANTE REFLEXÃO SOBRE NOSSO MODO DE ENCARAR E DIVULGAR A RELIGIÃO. IMPOSSÍVEL NÃO SOFRER O IMPACTO FINAL DO FILME, QUE PARECE EXPLICAR UM POUCO A SENSAÇÃO DE INCÔMODO QUE SENTIMOS QUANDO ALGUMAS PESSOAS TENTAM NOS "VENDER" SU RELIGIÃO OU VISÃO DE DEUS.

Uma das vantagens de ser um astro consagrado é poder envolver-se em projetos sem grandes pretensões comerciais, mas que dêem ao ator aquela satisfação íntima de contato com a essência de sua arte. Imagino que esta tenha sido a motivação de Kevin Spacey e Danny De Vito ao aceitarem participar de A Chave do Sucesso (The Big Kahuna). O filme, ou melhor, a peça filmada trata do encontro de três vendedores que tentam fechar um grande negócio durante uma convenção. Isto serve de pano de fundo para grandes reflexões, brilhantemente incorporadas por estes maravilhosos atores. Nada de efeitos especiais, ações mirabolantes ou grandes suspenses e viradas. Apenas diálogos, muitos diálogos sobre a vida, a morte, amor, família, Deus, o sentido de tudo...
Confesso que comprei gato por lebre, ou lebre por gato, para ser mais precisa. Saí de casa esperando encontrar mais um filme hilariante com o impagável De Vito e o encontrei melancólico, desiludido, amargo, literalmente refletindo sobre espelhos, captado e enquadrado neles enquanto o diálogo está nas mãos do sempre ótimo Spacey e da irritantemente ingênua personagem interpretada com precisão por Peter Facinelli.
O recurso usado pelo diretor John Swanbeck de filmar praticamente tudo dentro de um quarto de hotel, embora batido, passa bem a idéia claustrofóbica de olhar para dentro, cada um à sua maneira, com a ajuda dos demais, embora nenhum deles tenha chegado ali com este propósito. A autópsia de suas almas acontece praticamente à revelia deles. Tudo transcorre apenas ao som das conversas. E elas têm continuidade na música que aparece apenas no final e se estende pelos os créditos. Uma pena que o rap não seja acompanhado por legendas, todos mereceriam conhecer a letra, tão pungente.(NO VÍDEO TRADUZIRAM)
A fita é um grande mergulho na consciência, principalmente masculina. Mas não se deixe enganar pela classificação dos jornais. Embora haja boas piadas no texto, não se trata absolutamente de uma comédia.

POR Carla Cíntia Conteiro


RECOMENDO COM BASTANTE ENTUSIASMO O FILME ABAIXO, TENDO A RELIGIÃO COMO TEMA E NENHUMA PALAVRA, O FILME É DE UMA ELOQÜÊNCIA INCRÍVEL.

"BARAKA - UM MUNDO ATRAVÉS DAS PALAVRAS"

Seguindo a mesma tradição de Koyaanisqatsi e Powaqqatsi, Baraka é o resultado de 7 anos de produção. Com fotografia em Todd-AO de 70mm e locações em 24 países, incluindo o Brasil. Com suas qualidades preservadas em widescreen e som Dolby Digital 5.1, Baraka é um dos grandes lançamentos em DVD do ano.

O SOPRO DE DEUS

Baraka é uma palavra Sufi que significa "o fôlego da vida". Proclamando-se como um caminho a ser seguido (tariqa), o Sufismo é uma doutrina mística do Islã que versa sobre a "nostalgia do infinito": o espírito do Homem emana da divindade para a qual ele anseia voltar. A exemplo do islamismo, judaísmo e cristianismo, esse espírito é compreendido como um vento, um sopro de Deus. Assim, "baraka" é a expressão de uma benção, um sacramento.

uma visão do Logos

O filme relaciona a angústia e a esperança da Humanidade através dos seus temas fundamentais: a gênese da vida e a relação do Homem com o meio-ambiente, com seus semelhantes e com Deus. Em busca do Logos criador, Baraka abre mão da palavra: os temas se desenvolvem em imagens deslumbrantes, música arrebatadora e uma montagem dialética da melhor escola einsensteiniana. Em um processo sinérgico raramente visto no cinema, Ron Fricke articula o signo, o som e o tempo (montagem) para revelar como a idéia universal de Deus - a Unidade - é filtrada pela cultura dos povos - a diversidade. No filme, estes conceitos ultrapassam a esfera antropológica e arquetípica. As lentes de Ron Fricke são impelidas por uma ânsia de fé.

A celebraÇão da vida

Baraka é um filme sobre a vida, um poema visual. Como disse um crítico, a celebração profunda de cada cultura, de cada indivíduo; a celebração da experiência pessoal com o universo. De modo não-verbal e não-linear, Baraka discute o sagrado e o humano; a ordem natural e a entropia; a santidade e o materialismo. Portanto, este é um filme dialético, totalmente dependente da percepção e interpretação do espectador. Não importa quem você seja ou onde viva: você também está em Baraka.

O DIRETOR Ron Fricke

Co-roteirista, fotógrafo, diretor e montador de Baraka, Ron Fricke colaborou com Godfrey Reggio na fotografia e montagem de Koyaanisqatsi. Fricke é um especialista em películas de alta-definição, tendo dois filmes IMAX no currículo: Chronos e Sacred Sites. A eloqüência lírica de Baraka exigiu filmagens em 24 países, incluindo o Brasil. Fricke utilizou um sistema de filmagem panorâmica pesado, caríssimo e raramente utilizado nos dias de hoje: o Todd-AO de 70mm. A qualidade excepcional da imagem foi cuidadosamente preservada pela VERSÁTIL na masterização do DVD. A definição, nitidez, textura e cor extraordinárias do produto final são incomparáveis. Assista a humanidade em todas as cores do espectro.

MÚSICA

Em alguns momentos, a trilha excepcional de Baraka utiliza - musicalmente - sons e ruídos dos ambientes filmados e da própria natureza. De modo geral, o que prevalece é o enlevo da música de Michael Stearns, que compila a riqueza de ritmos e cantos étnicos com idéias ocidentais. O resultado tem originalidade, impacto, matizes muito variados e uma beleza arrebatadora. A trilha traz ainda a participação de grupos consagrados e artistas de expressão local: Dead Can Dance, Somei Satoh, The Harmonic Choir, David Hykes, Anugama & Sebastiano, Kohachiro Miyata, L. Subramaniam, Monks of the Dip Tse Chok Ling Monastary, The Rustavi Choir, Ciro Hurdato e Brother. Ouça tudo com a ambiência, a dinâmica e a fidelidade do Dolby Digital 5.1.

Ficha técnica
Baraka - Um Mundo Através das Palavras
Título Original: (Baraka)
Ano de Produção: 1992
Tempo de Duração: 106 minutos
Direção: Ron Fricke
Roteiro: Ron Fricke, Mark Magidson, Bob Green
Direção de Fotografia: Ron Fricke
Produção: Mark Magidson e Michael Stearns
Edição: Ron Fricke, Mark Magidson, David E. Aubrey
Música: Michael Stearns
Distribuição: Versátil Home Video



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