DALAI LAMA - UM MESTRE DA PAZ

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DALAI LAMA

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S.S. o Décimo-quarto Dalai Lama, Tenzin Gyatso, nasceu no dia 6 de julho de 1935, na vila de Takse, Amdo (região leste do Tibet), e recebeu o nome de Lhamo Döndrup. Durante a infância, ele fazia as malas e dizia, brincando, que iria viajar para a capital do Tibet, Lhassa.
Em 1937, o monge budista Kutsang Rinpochê e o oficial Losang Tsewang foram enviados à vila de Takse para procurar o novo Dalai Lama. Para não despertar a atenção, eles se disfarçaram de mercadores e não revelaram qual era o objetivo da visita. Em Takse, eles perceberam que todas as características daquele lugar eram idênticas às descrições da visão que o regente do Tibet, Reting Rinpochê, teve diante de um lago: um monastério, uma estrada, uma casa de telhado azul, um cachorro marrom, outro branco e um menino no quintal.
Aquela casa de telhado azul já tinha sido visitada pelo último Dalai Lama; era a casa dos pais de Döndrup. O monge e o oficial foram até lá, e o menino reconheceu os dois: disse que Kutsang era, na verdade, um monge do templo de Sera, e que o nome do outro visitante era Losang Tsewang. As duas afirmações estavam corretas!
Kutsang e Losang precisaram viajar, mas voltaram à vila para realizar vários testes. Depois de dois anos, veio a confirmação: Lhamo Döndrup era, realmente, S.S. o Décimo-quarto Dalai Lama. Ele foi ordenado monge budista em 22 de fevereiro de 1940 e recebeu o seu nome religioso: Jetsun Jambel Ngawang Losang Yeshe Tenzin Gyatso.
O controle temporal e religioso foi assumido no dia 17 de novembro de 1950, aos dezesseis anos de idade. Naquela época, os chineses já tinham começado a invadir a região leste do Tibet. As tentativas de negociação com os chineses não tiveram sucesso. O governo chinês impôs um "Acordo pela Libertação Pacífica do Tibet", assinado sob pressão. As Tropas Vermelhas penetraram em Lhassa no dia 9 de setembro de 1951. Lá, começaram a construir bancos, hospitais e cinemas para os chineses.
O Dalai Lama encontrou o líder chinês Mao Tse-Tung em Pequim, em julho de 1954. O diálogo foi amigável, mas a invasão continuou. Em 1959, foi convidado pelo general chinês Dan Guansan para assistir a uma peça teatral: "S.S. o Dalai Lama deve ir sozinho, desarmado e sem guarda-costas..."
A população de Lhassa suspeitou que aquele "convite" era um plano para que o Dalai Lama fosse assassinado. Em 10 de março, milhares de tibetanos realizaram uma manifestação pacífica contra a invasão; 82.000 foram mortos. O Dalai Lama e seus familiares precisaram se disfarçar para fugir das tropas chinesas. No dia 28 de março, o chinês Zhou Enlai anunciou que Tibet estava sob controle chinês. O Dalai Lama atravessou a fronteira da Índia com cerca de 100 mil tibetanos.
Em Dharamsala, no norte da Índia, foi estabelecido o centro do governo no exílio e a nova sede do monastério pessoal do Dalai Lama, o Namgyal. O governo indiano ofereceu terras no estado de Karnataka (sul da Índia), onde atualmente moram cerca de 10 mil tibetanos. Na mesma região, foram construídas novas sedes para os monastérios de Drepung, Sera e Ganden.
Entre 1979 e 1984, o Dalai Lama enviou duas delegações a Pequim, tentando fazer um acordo. Novamente, os diálogos não tiveram sucesso, pois os chineses só queriam discutir o retorno do Dalai Lama ao Tibet, e não os problemas de direitos humanos, situação legal etc.
Em 1987, milhares de tibetanos saíram pelas ruas para protestar; muitos foram presos e mortos. O Dalai Lama fez cinco propostas em relação ao Tibet:
Fazer do território uma região de paz desmilitarizada;
Acabar com a transferência de chineses para o Tibet;
Respeitar os direitos humanos e as liberdades fundamentais dos tibetanos;
Restaurar e proteger o ambiente natural da região e abandonar a produção de armas nucleares;
Iniciar as negociações sobre a situação legal do país e sobre a possível instauração de um governo democrático.
Em março de 1989, a China impôs a lei marcial e, poucos meses depois, aconteceu o massacre de estudantes chineses em Pequim. No mesmo ano, o Dalai Lama recebeu o Prêmio Nobel da Paz e passou a ser insultado pelo governo chinês. Visitou o Brasil durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Eco '92). Em 29 de maio de 1997, o Dalai Lama participou de um evento pela paz, em Nova Iorque. Atualmente, S.S. é um dos maiores defensores da paz mundial, do desarmamento, do entendimento religioso, da não-violência e da ecologia.






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