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"Ninguém tem o direito de se sentar e sentir-se inútil. Existe demasiado trabalho por fazer."
(Dorothy Day)
Dorothy Day-(1897-1980)
Dorothy Day exerceu grande influência n asociedade durante a sua vida, igualada por poucas mulheres na história Americana. Por mais de 50 anos, articulou a necessidade da não-violência ativa e seus elementos. Ela teve ativa liderança pessoal nas lutas pela paz, justica e direitos humanos. Em toda a sua vida, sua caneta, e o trabalho com o Catholic Worker, ela aplicava os ensinamentos de Jesus às condições modernas e divulgava uma Teologia de Paz. Isso em contraste direto à assim chamada teoria da "guerra justa", que dominou o pensamento cristão desde o século V.
Nascida no Brooklyn, Nova Iorque, Day se mudou com sua família para o Estado da Califórnia com seis anos, e daí para Chicago quando, devido ao terremoto de San Francisco, o jornal onde o pai trabalhava foi destruído. Ela recebeu bolsa para a Universidade de Illinois, e sua experiência como uma estudante necessitada, junto com sua abundante leitura, a conduziu para unir-se a um grupo de Socialistas em Urbana. Ela tinha completado dois anos de universidade quando seus pais mudaram-se para Nova Iorque e, ao invés de continuar seus estudos, achou trabalho em um jornal diário, chamado "New York Socialist", intitulado "The Call". (O Chamado) e mais tarde escreveu para "New Masses" (Massas Novas). Seus amigos e amigas eram ativistas políticos e escritores e ela se achava no meio de um mundo radical onde debates socialistas, marxistas doutrinários e anarquistas arejaram suas idéias.
Durante as campanhas do voto para mulheres, em 1917, ela se uniu ao um grupo fazendo piquetes em frente da Casa Branca, lutando pelos direitos das mulheres. Foi encarcerada como prisioneira política. Ao ser encarcerada, fez greve de fome de dez dias na prisão.
Em 1928 ela decidiu tornar-se católica, depois de anos de "free-lance escritos", casamentos apenas civis e o nascimento de uma filha. Ela descreveu as suas dificuldades em deixar o amor físico pelo amor de Deus e contou essa experiência num livro intitulado "A longa solidão".
Em 1933, junto com Peter Maurin, Day lançou o Movimento de Trabalhadores Católicos, que combinou preocupações, religiosas, radicais, e anarquistas e enfatizou a importância de ajuda direta e mútua como uma maneira de transformar a sociedade.
O Movimento Catholic Worker levou ao pé da letra o ideal cristão de dar comida aos famintos, vestir os nus, abrigar os sem lar, e aplicou a mensagem de Cristo no tempo de depressão econômica, quando a fé no capitalismo diminuiu bastante.
Day foi redatora chefe do jornal "the Catholic Worker" e ajudou a montar casas de hospitalidade para os pobres e um série de comunidades agrícolas. Ela escreveu sobre a imoralidade da guerra e do serviço militar obrigatório (convocação militar) e promoveu a voz de liderança em prol de pacifismo militante nos círculos do Catolicismo Americano. Quando a convocação militar foi instituída nos Estados Unidos, em 1941, Day foi para Washington falar em uma comissão do Congresso em prol de objeção de consciência.
The Catholic Worker imprimiu artigos durante toda segunda Guerra Mundial sobre assuntos como "A imoralidade de serviço militar obrigatório", "Católicos podem ser objetores de consciência", "As armas do Espirito", e "O Evangelho da Paz".
Ela foi incansável nos seus artigos comoventes sobre eventos e condições do Século Vinte. Falou em muitos lugares sobre os princípios do Catholic Worker e a necessidade de uma ordem social decentralizada e da não violenta.
Sua filosofia de serviço e pobreza voluntária, sua persistente visão da não violência como meio de melhorar a sociedade inspiraram milhares de pessoas e ajudou a mudar o pensamento da comunidade católica nos Estados Unidos e no mundo inteiro.
Ela foi presa por recusar-se a ir para o abrigo de guerra durante os exercícios de defesa civil em Nova Iorque nos anos cinqüenta e se opôs aos testes nucleares e à proliferação de armas nucleares.
Durante a guerra de Vietnã, sua liderança ajudou catalisar as ações de resistência e influenciou fortemente a esquerda radical dos católicos. Ela se opôs publicamente à guerra, e estimulou a não cooperação com o alistamento obrigatório e impostos de guerra. Em novembro de 1965, ela falou no evento em que se queimaram as carteiras de convocação militar.
Dentre os cinco que queimaram as carteiras, dois eram católicos. Day também apoiou a greve de Delano na luta dos agricultores no verão de 1973 e com a idade de 73 anos passou 12 dias na prisão por fazer piquetes com César Chaves e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Em 1975 ela escreveu:
"O movimento de paz sabe que algo é fundamentalmente mal nesta sociedade: Kent State e a matança dos estudantes. Todos esses anos de matança no Vietnã, todas as armas assassinas sendo vendidas no mundo inteiro,todas as lutas necessárias pelos Direitos Civis (negros) e freedom rides e sit-ins sofridos. Em função de tudo isso a gente chega a compreender a seriedade da situação e perceber que isto não vai mudar apenas com ações de protesto. É uma questão de consciência até mesmo ariscar a vida de gente, assim será preciso vivermos a vida de uma maneira radicalmente diferente da que temos vivido, para que se alcance um dia o que buscamos."
(Extraído de "The Power of the People", Active Nonviolence in the United States. New Society Publishers, Philadelphia,PA copy right-1987-Edited by Robert Cooney,
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