JOHN LENNON - UMA CHANCE PARA A PAZ

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Lennon

JONH LENNON



por Francisco Antônio Camelo Parente:
e-mail: francapa@terra.com.br

HOMENAGEM A LENNON

John, ah, John, quando lembro aquele oito de dezembro de oitenta, a amargura toma-me conta da alma. Realmente, "a felicidade é uma arma quente " (happiness is a warm gun). Naquele fatídico dia, após uma jornada de trabalho, estavas em paz contigo mesmo e com os outros, inclusive com o sucesso: O "Double Fantasy" estourando nas paradas de todo o mundo... voltavas de uma reclusão voluntária de cinco anos – quando sentiste a plenitude de ser pai... propunhas a Yoko um recomeço... em suma: Estavas feliz, talvez como nunca estiveras em toda a tua vida... mas John, a felicidade foi uma arma quente nas mãos de um louco – louco para aparecer e louco de inveja – que, com um impulso imbecil e regicida, puxou o gatilho: pam, pam, pam... apenas alguns tiros e estavas morto.

Lembro-me quando, de uma maneira poética e até profética, dizias: "Ele é apenas um Zé ninguém sentado em sua terra nenhuma fazendo todos os seus planos de nada para ninguém " (nowhere man). E na mesma canção dizias ainda: "Zé ninguém, por favor ouça, você não sabe o que você está esperando. Zé ninguém, o mundo está sob seu comando " (Nowhere man). E este zé ninguém veio travestido em seu fã ou admirador, comandando realmente e mudando todo o curso da história. E ali jazia, grotescamente assassinado, o arauto da paz e do amor. O pacifismo que tão bem cantaras em "Imagine" e levaras às últimas consequências através de inúmeros out-doors com a inscrição "A GUERRA ACABOU – se você quiser " (WAR IS OVER – if you want). Foi na música "Imagine" que lançaste o brado do pacifismo: "Imagine toda a gente vivendo a vida em paz... compartilhando o mundo todo... junte-se a nós e o mundo será um só " (imagine).

Merece ainda citação tuas palavras também proféticas quando falas "Estou apavorado... ódio e crime vão ser a minha morte... Canto a paz e o amor, não quero ver carne crua e sangrenta " (Scared). Ainda sobre a necessidade de amor, dizes com bastante propriedade: "Estamos divagando juntos... Amor é a resposta e você sabe disso. O amor é uma flor que você tem que deixar crescer... Continuamos divagando juntos " (Mind Games). Mas nada tem tanta profundidade quanto quando resumes tuas mensagens na frase "Tudo o que nós estamos dizendo é que dêem uma chance à paz " (Give Peace a Chance).

Acompanhamos também tua angústia na análise da vida familiar, quando, revoltado, gritavas: "Mãe, você me teve mas eu nunca tive você. Pai, você me deixou mas eu nunca deixei você. Crianças, não façam o que eu fiz: Eu não podia andar e tentei correr... Mamãe, não se vá! Papai, volte prá casa! " (Mother). Ao mesmo tempo em que tentavas te livrar de fantasmas do passado, te revoltavas com a sociedade machista, onde "A mulher é o negro do mundo... sim, ela é. Se ela não for uma escrava, dizemos que ela não nos ama. Se ela é verdadeira, dizemos que está tentando ser homem. A mulher é a escrava das escravas " (Woman is the Nigger of the World). E foi com esta revolta contra o machismo, que te tornaste também porta-voz das feministas; Perguntas e ao mesmo tempo respondes: "Eu pergunto a você, camarada irmão, como você trata sua própria mulher quando você chega em casa; Se ela pode ser ela mesma, então ela pode dar o que ela mesma é " (Power to the People). Aí eu vejo também tua preocupação com o ser verdadeiro, com a verdade, quando afirmas "Você pode lustrar seus sapatos e por um terno. Você pode pentear seus cabelos e parecer bastante atraente. Você pode esconder o seu rosto através de um sorriso. Uma coisa você não consegue esconder: É quando está aleijado por dentro " (Crippled Inside). Outra vez, tu escreveste: "Estou enjoado e cansado de ouvir coisas de hipócritas nervosos e bitolados. Estou farto de ler coisas de políticos neuróticos, psicóticos e bem-estabelecidos... Tudo o que eu quero é a verdade... Me dêem um pouco de verdade agora " (Gimme Some Truth).

Também, como seria consequência de todo o teu modo de pensar, mostravas uma grande preocupação com as injustificáveis desigualdades sociais. Disseste: "Somos todos águas de diferentes rios, por isto é tão fácil se encontrar. Somos todos água neste vasto oceano... Um dia iremos evaporar juntos " (We're All Water). Tu achavas que todos mereciam uma oportunidade na vida... afinal, a vida é para ser vivida com felicidade, com brilho: "É melhor você reconhecer seus irmãos, todos os que você encontrar. Afinal, por que estamos aqui? Certamente não é para viver em dor e medo. Todos nós brilharemos, como a lua, as estrelas e o sol " (Instant Karma).

John, embora tenhas dito "O sonho acabou... que posso dizer? O sonho acabou... Por isto, caros amigos, vocês têm apenas que seguir adiante. O sonho acabou " (The Dream is Over), embora eu vá seguir adiante, como tu sugeriste, não concordo com o sonho ter acabado. Na realidade, o sonho por uma sociedade mais justa, calcada na paz e no amor, este sonho apenas está começando. A semente foi plantada por pessoas como tu. Nós a regaremos para que a árvore que ali floresça dê bons frutos e um dia nós possamos ver que o teu sonho de paz e amor não acabou e brotou em nossos corações.

E o mundo então será um só. Descansa em paz, John!





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